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Preto, 21 de setembro de 2008
Comportamento
Assuma-se!
São José do Rio Preto, 21 de setembro de 2008
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Orlandeli/Editoria de Arte
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Renata Fernandes
03:18 - Uma semana. Esse é o tempo necessário para que
seja aplicado um método que promete desenvolver a
habilidade de se relacionar intimamente consigo, ter
autoconsciência, auto-estima e autoconfiança. É o
Processo Hoffman da Quadrinidade, método desenvolvido
pelo Instituto Hoffman, uma organização
não-governamental com sede nos Estados Unidos e filiais
espalhadas pelo mundo, inclusive no Brasil. Destinado a
quem busca autoconhecimento e crescimento pessoal, o
processo Hoffman também é apropriado àqueles que
precisam descobrir quais as razões que os fazem resistir
às mudanças. Segundo o diretor terapêutico do Instituto
Hoffman do Brasil, Jaime Maciel Bertolino, professor
pós-graduado em Psicologia da Educação pela PUC de Minas
Gerais, o objetivo do processo Hoffman é harmonizar os
quatro aspectos do ser humano. Ele afirma que o processo
combina diversas técnicas terapêuticas e se dedica a
despertar as pessoas para a extraordinária e poderosa
fonte de amor que cada um tem dentro de si. Para
conhecer e entender como funciona o método, confira a
entrevista a seguir:
Texto Intertítulo
Bem-Estar
- O que é o Processo Hoffman da Quadrinidade? Para
que serve, como funciona e qual a indicação?
Jaime Bertolino - Bom, vamos começar por quem
criou o processo, há 41 anos, Robert Hoffman. Por isso,
o método leva o nome dele. O processo foi criado na
década de 1960, entre 66 e 67, no boom do humanismo, no
meio de uma mudança de enfoque na abordagem sobre o que
é o ser humano. Saiu-se de uma perspectiva em que
somente o terapeuta, o profissional, atuava diante do
paciente, cliente e/ou aluno. Criou-se a possibilidade
de ambos interagirem e atuarem como agente
transformador. Então, nesse processo, no início desse
trabalho quadrinidade pressupõe o que entendemos como os
quatro aspectos do ser humano.
Bem-Estar - Quais são esses quatro aspectos?
Bertolino - Físico, emocional, intelectual e
essencial. O aspecto físico é o que nos presentifica
nesse tempo, que nos dá a habilidade de viver
experiências e também expressa o que temos internamente.
O emocional é a percepção de nossos sentimentos e
emoções. Nossos pensamentos e a forma de abstrair e
decodificar o mundo são o aspecto intelectual. Enquanto
o essencial é o espiritual, o qual chamamos de essência
- o ponto mais nuclear do ser humano. O espiritual é
nossa dimensão divina, que também é um manancial de
amor. Esse aspecto espiritual independe de religião, o
processo Hoffman não é um trabalho religioso. O caminho
e a forma dogmática ou doutrinária de cada um é livre.
Bem-Estar - Qual o objetivo do Processo Hoffman
da Quadrinidade?
Bertolino - Alinhar esses quatro aspectos do ser
humano. É como se fosse um processo educativo de
continuidade, de alinhavamento das experiências vividas.
É um trabalho autobiográfico que nos dá a possibilidade
e a dimensão de olhar para toda nossa trajetória
histórica. Enquanto criança, por exemplo, temos a
necessidade de nos reportar ou nos referenciar ao ser
humano adulto, que geralmente são nossos pais. Eles são
as figuras referenciais que nos recebem, apresentam e
preparam para estarmos no mundo. Toda essa educação é
passada para o humano novo, à criança, que aprende como
sendo verdade tudo o que lhe passam. Isso dá à criança
condições de estar no mundo. Perfeito. Durante um tempo,
enquanto somos dependentes naturais, isso acontece, mas
enquanto adultos precisamos nos apropriar dessa
história.
Bem-Estar - E como fazer isso?
Bertolino - Primeiro, saber o que se passou,
perceber que há muito do que aprendemos nesse sistema
que são crenças, muitas vezes crenças impeditivas.
Crenças que nos impedem autenticidade, autonomia e até
de expressar aquilo que sentimos. Muitas vezes no
processo educacional aprendemos a não expressar o que
sentimos e assim guardamos nossos sentimentos. Temos um
aprendizado distorcido de emoções como raiva, tristeza,
alegria, medo, dor. Temos, inclusive, um aprendizado por
gênero dessas emoções: o que é ensinado ao homem não é
ensinado à mulher. Tanto que, culturalmente, os homens
não podem chorar ou se choram não merecem a virilidade
masculina. São mandatos sutis e os chamo de mandatos
impeditivos.
Bem-Estar - Como funciona o processo Hoffman?
Bertolino - O processo funciona muito na busca do
interno. Aliás, uma pessoa quando busca o processo já
despertou sobre essa possibilidade de o interno
realmente ser o grande mobilizador de uma transformação.
Ao participar do processo o indivíduo busca esse
autoconhecimento, que é o voltar para dentro, que é o
ponto fundamental onde está o nosso manancial de
recursos.
Bem-Estar - O método aplicado pelo Instituto
Hoffman ocorre em oito dias, em regime intensivo, e lida
especificamente com a resolução de questões emocionais,
entre outros. Enquanto a pessoa está no curso aprende o
que deve ser feito, mas depois tem de aplicar o que
aprendeu no dia-a-dia. Todos conseguem? O que sugere às
pessoas que têm dificuldade em colocar em prática o que
diz a teoria?
Bertolino - A experiência do processo é
vivencial, a pessoa terá internamente, visceralmente,
registrado nela a experiência de estar em lugares
diferentes daqueles anteriormente aprendidos, não é uma
teoria. A partir desse momento a pessoa tem uma
responsabilidade enquanto adulto, então, muda-se o
enfoque. Por exemplo, amadurecemos cronologicamente,
muitas vezes intelectualmente, mas emocionalmente ainda
ficamos em muitas perspectivas infantilizadas. Inclusive
à espera de uma mágica, de que o fato de ter vivido uma
experiência faça com que não precise mais me
responsabilizar por minhas escolhas, acreditando que
elas virão naturalmente, sem trabalho. E a perspectiva
do adulto é diferente. O adulto precisa bancar as
próprias escolhas e responsabilizar-se por elas. O
objetivo do processo Hoffman é fazer a pessoa acessar,
durante uma semana, esse lugar de amadurecimento
pessoal, emocional, intelectual, espiritual e corporal.
O fato de se ter competência para ler não implica ler
todo livro que lhe chegar às mãos. É aí que entra a
escolha, a escolha única, pessoal e intransferível. O
mesmo ocorre com o processo Hoffman. Ao dar ouvidos às
perspectivas infantis a pessoa se rebela e faz o que
muitos fazem nesse percurso: têm conhecimento, mas não
avançam com ele. Às vezes, o adulto quer o melhor para
si, mas como é uma relação que passa pelo emocional,
pela questão da autoridade, pela questão, muitas vezes,
da coerção e opressão mesmo, há um bater de frente, numa
ação contrária. No entanto, quando você assume o que
quer e precisa aí é diferente.
Bem-Estar - O que é preciso ter para as pessoas
assumirem o que desejam? Disciplina?
Bertolino - Disciplina é um dos critérios.
Motivação é outro. Aliás, considero a motivação mais
fundamental que a disciplina. Vamos pegar uma metáfora:
se você tem respeito a você, respeito ao próximo e sabe
que a vida é fundamental ao dirigir seu carro, esse
respeito ao outro te faz cuidar da direção. Agora, se
você acha que dirige melhor do que todo mundo, que pode
fazer o que bem quer, aí surge a disciplina e a regra,
que atuarão, nesse caso, mais do que a motivação
interna. A motivação e o querer fazem com que a
perspectiva adulta se mantenha ativa, muito mais do que
a disciplina, que é um apoio, que vem junto.
Bem-Estar - Essa motivação tem de ser externa ou
deve ser interna?
Bertolino - A motivação é um processo interno.
Claro, há variáveis externas que fazem buscar e querer
diferente, mas a motivação é você saber o que quer.
Quando se fala do alinhamento da quadrinidade não quer
dizer que seja um lugar onde você fala ‘fiquei alinhado
na minha quadrinidade’, mas é uma atitude que se tem de
autoconhecimento, de cuidado consigo mesmo, de
autocompreensão, de autoconsciência e de amor-próprio.
Como o ser humano não é linear, não vive numa linha, tem
oscilações (e claro, isso faz parte inclusive do
aprendizado da vida), é importante saber que dentro de
mim há um centro que me torna responsável pelas coisas
que escolho e a responsabilidade está nisso. Vai ser
muito difícil, às vezes é até doido, mas muitas decisões
e escolhas precisam ser feitas na vida. Assumir e saber
que sou eu que as faço, que é a partir de mim que a vida
segue; isso é manter a perspectiva adulta. É claro que
dentro de um contexto isso facilita muito. O trabalho do
processo Hoffman apresenta ferramentas para trabalhar
tudo isso. É um espaço de educação continuada, então não
é só viver o processo e pronto. Há de se considerar
ainda que toda nossa história tem um abalo emocional na
infância e tudo o mais tem um aprendizado que é
condicionado e que é muito entrenhado, está preso e
presente em nosso modo de ser. Interferir nesse
movimento depende dessa atenção que é o caminho
socrático: ‘conhece-te a ti mesmo’. Esse estado de
atenção, de presença, pressupõe e nos faz entender que a
própria dificuldade é um fortalecedor dessa
continuidade. Os benefícios são grandes porque se terá
autonomia, maturidade e compreensão. Esse conhecimento
de si é muito grandioso.
Bem-Estar - O que é o Processo Hoffman da
Quadrinidade? Para que serve, como funciona e qual a
indicação?
Jaime Bertolino - Bom, vamos começar por quem
criou o processo, há 41 anos, Robert Hoffman. Por isso,
o método leva o nome dele. O processo foi criado na
década de 1960, entre 66 e 67, no boom do humanismo, no
meio de uma mudança de enfoque na abordagem sobre o que
é o ser humano. Saiu-se de uma perspectiva em que
somente o terapeuta, o profissional, atuava diante do
paciente, cliente e/ou aluno. Criou-se a possibilidade
de ambos interagirem e atuarem como agente
transformador. Então, nesse processo, no início desse
trabalho quadrinidade pressupõe o que entendemos como os
quatro aspectos do ser humano.
Bem-Estar - Por que o autoconhecimento é o
caminho do amor?
Bertolino - Vamos considerar que os seres humanos
estejam aqui para aprender a amar. É preciso saber amar
a si mesmo para amar o outro. E amar não é batatinha
esparramando pelo chão não. Amar é ser responsável pelo
próprio espaço vital, por minhas escolhas, relações,
pelo que é levado adiante em termos de humanidade, já
que somos todos pertencentes a esse grupo humano. Logo,
se tenho cuidado comigo significa também ter cuidado com
o outro, não um cuidado egoísta, mas de preservação de
amor-próprio. Ao considerar o amor como alimento, essa é
a nutrição mais grandiosa que as pessoas podem ter. O
amor é muito mais do que essa questão homem - mulher,
muito mais do que o amor erótico e é grandioso nesse
sentido. Se não tenho, por exemplo, um bom trato com o
meu emocional, ele não vai ficar aqui separadinho dentro
de mim, vai interferir nas minhas relações - se não
consigo dizer que me amo, para o outro muito menos. E é
isso o que faz com que as pessoas confundam dependência
com amor, ou possessividade com amor e assim seguem as
distorções dessas emoções. Apesar de que o amor não é
uma emoção é um estado, um estado amoroso. Somos seres
de amor, que é a vida. Quando digo que somos seres de
amor é porque viemos para a vida, toda a naturalidade e
simplicidade nos levam a crescer e viver.
Bem-Estar - Por que a maioria não consegue
perceber tudo isso? As pessoas se mantêm na perspectiva
infantil que o senhor citou?
Bertolino - Infantil pressupõe ter um pai e uma
mãe que façam tudo por nós. Assim, mesmo adultos,
ficamos à espera do outro fazer por nós aquilo que é da
nossa competência e ainda culpamos a terceiros por isso.
Assim, ficamos nessa relação que passa pelo emocional
infantil.
Bem-Estar - O mesmo ocorre para quem não consegue
buscar autoconhecimento?
Bertolino - Não diria que não conseguem, mas que
privilegiam outras formas de atuar. Algumas revistas
mostram a vida dura de empresários que ao chegar no topo
se sentem ou ficam sozinhos. Nesse momento costumam
entrar em crise, ter estresse, depressão etc. Tanto que
muitos ao resolverem se voltar à família percebem que
ela já está toda desatrelada e desarticulada. Os homens,
principalmente, percebem que os filhos já cresceram e
eles nem viram como isso ocorreu. Só aí esses
empresários fazem o percurso de voltar para si mesmos e
se questionar: ‘onde, quando e como é que fiquei
distante de mim mesmo’, ‘como consegui desenvolver essa
competência extraordinária material, intelectual e
profissional sem me lembrar de outros aspectos humanos
que perpassavam tudo isso?’ Então, em algum momento a
ficha cai. Por isso, acredito que seja uma questão de
prioridade: o que tem priorizado em sua vida hoje?
Bem-Estar - Então, em algum momento todos vão
cair em si em relação a isso, vão buscar o
autoconhecimento?
Bertolino - Não posso afirmar isso. Mas
geralmente, em algum momento, as pessoas sempre se
deparam com a própria construção de história. O ideal é
buscar o equilíbrio entre os aspectos da vida e se
encontrar consigo verdadeiramente.
Bem-Estar - E quando a pessoa sabe que se
encontrou verdadeiramente?
Bertolino - É uma busca com percepções muito
pessoais. O autoconhecimento não é um lugar onde se ande
50 quilômetros e diga: ‘cheguei, estou pronto’. O
autoconhecimento é uma atitude interna de construir
movimentos. Ao ter essa atitude descubro e sei que estou
num ponto de equilíbrio em mim. Mas sempre preciso me
trabalhar para ampliar esse conhecimento e fortalecê-lo.
Quanto mais me aproximo de mim, mais saudável se torna
minha relação com o outro, esse é o sentido. Mais
saudável não significa que todos os dias serão flores.
Mais saudável significa ser mais verdadeiro, mais
honesto, mais real, mais assertivo e mais presente.
Bem-Estar - Quem alcança o autoconhecimento e tem
de lidar ou conviver com pessoas que não estão no mesmo
patamar, o que fazer? É difícil perceber ou conviver com
alguém, por exemplo, que se desconhece?
Bertolino - Não. Inclusive, um dos objetivos do
processo Hoffman é o amor e quem ama acolhe. O objetivo
não é criar visões, pelo contrário, é acolhimento. Por
isso, há um limite em interferir no processo de
conhecimento do outro, nas escolhas feitas pelo outro, a
menos que seja solicitado a intervir. Mas até esse fato
de não se envolver em questões que não são suas, o fato
de não se misturar nessas questões, é uma referência
interessante de amadurecimento.
Bem-Estar - A busca pelo autoconhecimento tem de
ser um exercício contínuo?
Bertolino - Sim. Ao se manter condicionado no que
sempre fez a pessoa fica numa situação confortável,
entra numa zona de conforto e o externo todo comprova
que é assim que funciona. Mas não é.
Bem-Estar - O que as pessoas devem fazer quando
já se conhecem o suficiente para crescer
profissionalmente, por exemplo, mas não encontram
oportunidades?
Bertolino - Muitas vezes as oportunidades estão
aí, mas também posso ajudar a criá-las; porque se eu
ficar tão focado e tão brotado em certos comportamentos
ou atitudes não perceberei o que ocorre em meu redor,
não perceberei que posso ampliar meu leque. Essa é uma
possibilidade de as oportunidades estarem ali e eu não
perceber. Mas ao me voltar para esse trabalho interno
posso não só perceber oportunidades que se apresentam
como também criar novas. Ter assertividade, buscar mais,
ter mais ousadia, motivação... colocar-me de forma
diferente, variar minhas possibilidades de intervenção.
Bem-Estar - Como perceber a própria maturidade ou
a de quem está próximo?
Bertolino - A questão do amadurecer passa pela
assertividade em reconhecer a dignidade de quem fala,
assim como a do interlocutor, respeitar esses dois
lados, mas como já disse o nosso processo de educação,
de construção da humanidade, nos limita. Viver de forma
aberta e direta dentro da nossa educação é muito
comprometedor. É como se a gente passasse por cima de
outra pessoa, de uma forma sentimental/ emocional
distorcida, porque as pessoas esperam condescendência e
concessões de uma forma mais ampla. Exemplo de
maturidade: Se eu disser para uma criança “você não sabe
nada, você é burra”, ela se verá toda burra, irá
acreditar nisso plenamente, pois é absoluta. Já o adulto
sabe fazer distinções, perceber e relativizar essas
questões. No entanto, se estou numa perspectiva
infantil, quando o outro é assertivo ou franco comigo
tenho uma leitura absoluta e isso me toca de forma
emocional, como se fosse na própria criança e aí me
retraio ou rebelo. O objetivo é sair dessa perspectiva
infantil e crescer, me alinhar e aprender a dizer coisas
de forma bacana, civilizada.
Bem-Estar - Qual a diferença entre as pessoas que
participam do método Hoffman daquelas que fazem terapia
há anos, já que, em princípio, ambos proporcionam
autoconhecimento?
Bertolino - Primeiro não faz sentido fazer essa
comparação. São caminhos diferentes que levam ao
autoconhecimento, os dois seguem por estradas diferentes
que levam ao mesmo ponto. É uma vivência emocional que
se diferencia bastante. Quem faz terapia está em busca
de si e pode ser que esse percurso para ela seja o mais
adequado: perfeito. O fato de fazer terapia não impede a
participação do processo Hoffman, apenas acrescenta,
colabora com o processo interno de autoconhecimento. É
um olhar diferenciado que permite maior responsabilidade
pelas próprias escolhas.
Bem-Estar - O que é necessário ter para manter
essa perspectiva adulta?
Bertolino - Amor-próprio, autocompreensão,
disciplina, motivação, responsabilidade, presença,
atenção, amor, compaixão, perdão, auto-estima, tem uma
série de atributos, não uma numeração específica.
Bem-Estar - O esforço em se manter motivado não
desgasta?
Bertolino - O desgaste se dá quando parece que é
algo contra a vida. No momento em que você nasceu, optou
pela vida. E ela segue, não vai parar para você aprender
ou desaprender; sofrer ou ser feliz, para isso ou para
aquilo. Não dá para ficar bem confortável, sem ter
qualquer esforço, porque a vida não é assim. A vida vai
seguir para te ajudar e é maravilhoso que seja assim.
Quando há um desgaste é como se você estivesse muitas
vezes lutando contra a corrente.
Bem-Estar - Por que mesmo quem aprende muitas
vezes não coloca em prática?
Bertolino - Porque não se pode cristalizar a
forma. Uma hipótese: estou conversando com você e
morrendo de sede. Minha boca está seca, mas na minha
mesa não há um copo de água. Logo, enquanto eu não sair
daqui, levantar, ir até o filtro e pegar um copo de água
o que tenho anteriormente é só uma informação
intelectual da questão, falo com propriedade: estou com
sede. Sei do cerne da questão que é sede, mas enquanto
não me movimentar para buscar e tomar a água não
resolverei o ‘problema’. O mesmo ocorre na vida. Você
pode saber das coisas, mas é preciso dar o passo para
alcançar o que deseja. Isso em relação a tudo, a água é
apenas um exemplo.
Bem-Estar - Até que ponto vale a pena tentar
ajudar alguém próximo a crescer emocional e
espiritualmente?
Bertolino - A melhor forma de convencer alguém a
modificar é se trabalhar, se conhecer. Quanto mais me
trabalho e conheço mais ajudo o outro. Desejar converter
alguém é natural. Quando gostamos de uma pessoa
desejamos que ela também evolua. É igual quando
assistimos a um filme legal e temos vontade de
indicá-lo.
Bem-Estar - Nem todos têm condições financeiras
para participar do Processo Hoffman da Quadrinidade. O
que fazer?
Bertolino - É verdade. Assim como na terapia
semanal nem todos têm condições financeiras. Mas não há
obstáculo financeiro existente para a vontade real de
crescimento, assim como não adianta ter todo o dinheiro
do mundo se não houver essa vontade real de crescimento.
Vou dar como exemplo algumas mulheres que são capazes de
gastar um absurdo para colocar silicone, mas não fazem
qualquer trabalho de autoconhecimento. Então, a questão
não é só financeira.
Bem-Estar - Pode dar algumas dicas sobre como
agir diante da vida, de um modo geral?
Bertolino - Como não temos uma escola que nos
apresente o conhecer a ti mesmo, recomendo que as
pessoas escrevam um diário. Isso é muito importante.
Escrever em um diário não é dizer ‘meu querido diário...
hoje o passarinho bateu asas e voou’, mas é usar esse
espaço para refletir e colocar nele situações que
mobilizaram, incomodaram ou criaram um estado que fez
você se perder ou perceber que repete certos
comportamentos. Escreva tudo o que mexe com você. À
medida em que escreve, pode ter uma atitude semanal de
ler tudo o que se passou em sua vida e assim ter um
retrato, um perfil de como você olha o mundo. A partir
disso, pode começar a observar de onde vem esse seu
perfil e se questionar: Como é que aprendi isso? Como é
que isso me garante? Por que preciso manter isso? E
assim a pessoa vai se trabalhando, se percebendo, isso é
um espelho. Outra dica é escrever sobre os próprios
comportamentos e criar um plano ou estratégia para atuar
de maneira diferente sobre eles. Quais possibilidades me
proponho a fazer diferente do que fazia? Depois de um
mês analise-se. Repense outras formas de atuar, falar ou
agir. Somos muito rápidos em apontar para o outro o que
ele tem de errado, nas relações amorosas principalmente.
Aliás, geralmente está em nós o que apontamos no outro.
E sacar isso é o pulo do gato. Para chegar nesse pulo do
gato é preciso se observar. Você pode falar a partir do
seu sentimento em vez de acusar o outro.

>> RAIO-X
Jaime Maciel Bertolino, professor pós-graduado em
Psicologia da Educação pela PUC de Minas Gerais e
diretor terapêutico do Instituto Hoffman do Brasil. Mais
informações em
www.
Release
Instituto Hoffman
realiza curso de
autoconhecimento em Pernambuco
O Instituto Hoffman do Brasil
realiza entre os dias 15 e 22
deste mês,
o curso intensivo de
autoconhecimento e educação
emocional, do
Processo Hoffman da
Quadrinidade. O evento que irá
identificar a programação
pessoal de cada um será
realizado no
Hotel Fazenda Betânia, no
município de São Benedito do
Sul, em Pernambuco.
Durante uma semana de curso o
participante terá a
sensibilidade
de identificar as conseqüências
na sua vida atual, levando a um
novo
posicionamento mais maduro e
real. Além disso, o curso
proporciona uma experiência
dirigida e ao mesmo tempo
reveladora
e transformadora.
O Processo Hoffman de
Quadrinidade compreende quatro
etapas: a tomada de consciência,
a expressão,
o perdão e a transformação. “O
curso fará uma aproximação de si
a partir do viés emocional de
cada
pessoa. O nosso principal
objetivo é a reaproximação da
capacidade de amar, o exercício
da autonomia
e a habilidade em manter um
desenvolvimento pessoal e
espiritual saudável”, garante
Jaime Maciel,
diretor terapêutico do Instituto
Hoffman do Brasil.
O curso tem uma carga-horária de
100 horas, com dedicação
exclusiva, onde os participantes
residem por oito dias, no Hotel
Fazenda Betânia, distante a
180km do Recife e a 120Km de
Maceió. Através
de questionários e exercícios os
professores acompanharão os
participantes em cada fase do
trabalho
(preparação, fase intensiva e
manutenção), sempre com a
supervisão de uma equipe
especializada.
Jaime Maciel explica que o curso
é destinado às pessoas que têm
como motivação compreender a si
mesmo, jovens que necessitam
direcionar de forma efetiva o
próprio potencial,
pessoas que buscam afetividade
e comunicação, jovens que lutam
contra os vícios e profissionais
que buscam maior potencial
produtivo. Esse processo será
ministrado por professores
autorizados pelo Hoffman
Institute International
(Ca-USA) e oferece ferramentas
indispensáveis à transformação
dos comportamentos repetitivos
e incomodativos.
Sobre o Processo Hoffman
O Processo Hoffman da
Quadrinidade foi criado em 1967
por Bob Hoffman, um autodidata
com profundo
conhecimento da natureza humana.
Bob estruturou o Processo
combinando diversas técnicas
terapêuticas
e dedicou-se a despertar as
pessoas para a extraordinária e
poderosa fonte de amor que cada
um tem
dentro de si.
Até 1986 o
Processo tinha a duração de três
meses e era denominado Processo
Fischer-Hoffman. Ao longo
dos anos a metodologia foi
sendo desenvolvida até sua forma
atual: um curso de oito dias, em
regime
intensivo, que lida
especificamente com a resolução
de questões emocionais,
relacionamentos afetivos
com parceiros, pais, filhos,
amigos entre outros.
Bob faleceu em
1997. O seu trabalho continua a
ser disseminado pelo mundo todo,
beneficiando milhares
de pessoas até hoje. O Processo
é apresentado em vários países,
entre eles, Alemanha, Austrália,
Áustria, Brasil, Canadá,
Espanha, EUA, França,
Inglaterra, Itália, Suíça. O
treinamento dos professores é
realizado pelos Centros
Associados e autorizado pelo
Hoffman Institute
International.
O Instituto Hoffman do Brasil
realiza o Processo Hoffman, em
Minas Gerais, e em outros
Estados do País,
desde 1979, tendo realizado mais
de 260 grupos do Processo. As
atividades são desenvolvidas em
grupos
de no máximo 25 pessoas,
mantendo a proporção de um
professor para dez alunos, o que
proporciona
maior interação e
individualidade no atendimento.
Serviço
O que: Processo Hoffman da
Quadrinidade
Onde: Hotel Fazenda Betânia, no
município de São Benedito do Sul
(PE)
Quando: de 15 a 22 de agosto
Inscrições:
hoffman@institutohoffman.com.br
Informações: (31) 3223-2037 ou
pelo site
www.institutohoffman.com.br
MATÉRIA:
www.alagoasemtemporeal.com.br/interno.php?pag=eventos&cod=370
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