Autor
Daniel Ferreira Gambera
Não precisamos muito
esforço para encontrar quem nos diga que devemos seguir
este ou aquele modelo, que devemos ser desse ou daquele
jeito, que devemos ter esta ou aquela qualidade, que não
podemos ter este ou aquele defeito.
Um número grande de tradições espirituais nos inspira o
temor ao erro, nos ensina que devemos nos torturar por
eles, que precisamos somente manifestar o que temos de
perfeito.
Sem perceberem, essas tradições nos ensinaram a não nos
darmos. Ensinaram a sermos mesquinhos conosco mesmos. E,
como conseqüência, nos tornarmos mesquinhos com os
outros.
Talvez a vida real não queira isso de nós. Talvez seja
muita pretensão achar que podemos crescer sem errar, que
podemos parar o tempo até que nos tornemos perfeitos e
retornemos, depois, inteiros ao mundo.
Talvez, a vida seja aprender a aceitar aquilo que em nós
ainda não está tão desenvolvido e não nos martirizarmos
por isso; continuarmos caminhando, utilizando o que
temos de melhor.
Quando conseguimos aceitar e compreender que temos
partes que ainda estão muito longe da perfeição, fica
mais fácil aceitarmos e compreendermos que todos os
outros também estão passando pelo mesmo problema.
Quando não nos
aceitamos e tentamos dar a “perfeição” que está em
nossos modelos, talvez não estejamos, em verdade, dando
coisa alguma. Só podemos dar daquilo que temos. E essa
“perfeição”, fruto de nossa cegueira, não a possuímos.
Chega a ser hipocrisia.
Talvez, para o
Universo não valham muito as vezes em que tentamos agir
como não somos. Talvez ele não queira de o nosso
sacrifício ou que procuremos seguir um modelo que
alguém, alguma vez, nos ensinou ser o correto. Talvez
estejamos aqui como uma chance para termos a coragem de
ser diferentes e de negarmos a ilusão das regras e das
idealizações.
Não consigo pensar em
nada mais generoso do que dar ao mundo aquilo que se é:
a sua singularidade. É disso que ele sente falta. Você
pode continuar apegado a essa forma distorcida de
espiritualidade e, assim, continuar a negar a todos
aquilo que você poderia suprir com naturalidade e
facilidade, e continuar tentando nos dar aquilo de que
não precisamos. Ou você pode, ao contrário, nos oferecer
o seu entusiasmo para conquistar aquilo que sempre
desejou mas sempre teve medo de tentar ou achava que não
merecia.
Você pode fazer
aquilo que sente que deve fazer. Pode nos oferecer o
exemplo de quem tem a ousadia de cometer erros novos e
de aprender com os erros antigos.
com seu exemplo, podemos entender que vale mais errar
quando se tenta aplicar o pouco que se sabe, do que
ficar se iludindo com uma ausência de erros que nada
mais seria do que o fruto da inação.
Você pode nos
oferecer as suas palavras, com sua visão única, mesmo
que elas nos contrariem. Talvez elas nos ajudem a
perceber coisas que, embora óbvias para você, sejam
difíceis de ver, para nós.
Você pode nos oferecer
o exemplo de quem apóia a si mesmo e se mantém firme
seguindo a sua consciência e intuição para manifestar
aquilo que está em sua visão.
Quando o tempo passar
e aquilo em que você investiu seu tempo e sua energia
frutificar, ficaremos muito felizes e gratos por você
ter sido generoso ao extremo ao ter ignorado as críticas
infundadas e os empecilhos que, em nossa ignorância,
colocamos em seu caminho e por ter continuado a
acreditar e a se empenhar.
pode nos oferecer o
exemplo de quem se aceita e se ama, mesmo quando nós
tentávamos forçá-lo a ser deste ou daquele jeito,
acreditar que esta ou aquela característica sua eram
inaceitáveis.
Quando o tempo passar,
vamos agradecer profundamente por você ter sido capaz de
se amar e por ter prosseguido desenvolvendo-se, pois as
habilidades e o conhecimento que você terá adquirido se
tornarão evidentes e servirão de inspiração para todos
nós.
Assim, se você sente a
necessidade de nos dar algo que nos faça bem, dê de si.
Não consigo pensar em nada que eu deseje mais de você,
do que isso.
Nos dê o apoio a si
mesmo. Nos dê a sua liberdade de se expressar
livremente. Nos dê o seu crescimento, o seu entusiasmo,
o seu amor à vida. Nos dê o seu empenho em se
desenvolver e a sua fé na vida e na natureza humana.
Faça isso. Dê de si e
nos ajude a aprendermos a darmos de nós.

APROVEITE
O MOMENTO
Contribuição de Lúcia Almeida
Eu tenho uma PESSOA que vive baseada em uma filosofia de
três palavras:
"Aproveite o momento".
Exatamente por isso, ela me parece ser a mulher mais
sábia neste planeta.
Muitas pessoas adiam algo que lhes traz alegria só
porque não pensaram sobre isto,
ou não tem vaga em sua agenda, ou não sabem o que vem
pela frente ou
são muito rígidas para sair da rotina.
Outro dia eu estava pensando sobre todas aquelas
mulheres no Titanic,
que privaram-se da sobremesa no jantar naquela noite
fatal, somente
num esforço para manter a silhueta.
Parece meio besta mas pense bem........
Quantas mulheres por aí comerão em casa porque
quando seu marido convidou para jantar já tinha algo
descongelado?
Quantas vezes você tinha suas crianças prontas para
brincar e conversar e
você ficou em silêncio assistindo aquele programa na
televisão?
Hoje parece que se programa até o horário da dor de
cabeça.
Nós vivemos com uma lista de promessas que fazemos para
nós mesmos para
quando as condições forem perfeitas:
visitarei meus avós... quando conseguirmos reformar o
banheiro;
Faremos uma festa... quando substituirmos o tapete;
Sairemos em uma segunda lua de mel... quando as crianças
se formarem.
A vida tem um jeito mais acelerado quando vamos ficando
mais velhos.
Os dias ficam menores e a lista de promessas para
nós mesmos vai ficando cada vez mais longa.
Uma manhã a gente acorda e tudo o que temos para mostrar
de nossas vidas é uma ladainha de "estou indo",
"estou planejando"
e "algum dia, quando as coisas estiverem ajeitadas".
Quando alguém convida minha amiga "aproveite o momento",
ela está
sempre aberta à aventuras e disponível para viagens.
Ela mantém a mente aberta para novas idéias.
Seu entusiasmo pela vida é contagioso.
Noutro dia, eu parei o carro e comprei um sorvete,
cascão triplo.
Se meu carro batesse em um iceberg a caminho casa, eu
teria morrido feliz.
Agora, vá em frente e tenha um bom dia.
Faça algo que você QUER fazer e não apenas algo que
DEVIA ESTAR NA LISTA.
Afinal atravessamos o século e sobrevivemos...
Viva, e permita que os outros vivam, pois,
amanhã poderá não dar tempo.

ACEITAÇÃO
DO AGORA
Contribuição Felipe Fidelis
Eckhart Tolle
Existem ciclos de sucesso, como quando as coisas
acontecem e dão certo, e os ciclos de fracasso, quando
elas não vão bem e se desintegram.
Você tem de permitir que elas terminem, dando espaço
para que coisas novas aconteçam ou se transformem.
Se
nos apegamos às situações oferecemos uma resistência
nesse estágio, significa que estamos nos recusando a
acompanhar o fluxo da vida e que vamos sofrer.
É
necessário que as coisas acabem, para que coisas novas
aconteçam.
Um
ciclo não pode existir sem o outro. O ciclo descendente
é absolutamente essencial para uma realização
espiritual.
Você tem de ter falhado gravemente de algum modo, ou
passado por alguma perda profunda, ou por algum
sofrimento, para ser conduzido à dimensão espiritual.
Ou
talvez o seu sucesso tenha se tornado vazio e sem
sentido e se transformado em fracasso.
O
fracasso está sempre embutido no sucesso, assim como o
sucesso está sempre encoberto pelo fracasso.
No
mundo da forma, todas as pessoas “fracassam” mais cedo
ou mais tarde, e toda conquista acaba em derrota.
Todas as formas são impermanentes. Um ciclo pode
durar de algumas horas a alguns anos, e dentro dele pode
haver ciclos longos ou curtos.
Muitas doenças são provocadas pela luta contra os ciclos
de baixa energia, que são fundamentais para uma
renovação.
Enquanto estivermos identificados com a mente, não
podemos evitar a compulsão de fazer e a tendência para
extrair o nosso valor pessoal de fatores externos, tais
como as conquistas que alcançamos.
Isso torna difícil ou impossível para nós aceitarmos os
ciclos de baixa e permitirmos que eles aconteçam.
Assim, a inteligência do organismo pode assumir o
controle, como uma medida autoprotetora, e criar uma
doença com o objetivo de nos forçar a parar, de modo a
permitir que uma necessária renovação possa acontecer.
Enquanto a mente julgar uma circunstância “boa”, seja um
relacionamento, uma propriedade, um papel social, um
lugar ou o nosso corpo físico, ela se apega e se
identifica com ela. Isso faz você se sentir bem em
relação a si mesmo e pode se tornar parte de quem você é
ou pensa que é.
Mas nada dura muito nessa dimensão, onde as traças e a
ferrugem devoram tudo. Tudo acaba ou se transforma: a
mesma condição que era boa no passado, de repente, se
torna ruim. A mesma condição que fez você feliz agora
faz você infeliz.
A
prosperidade de hoje se torna o consumismo vazio de
amanhã. O casamento feliz e a lua-de-mel se transformam
no divórcio infeliz ou em uma convivência infeliz.
A
mente não consegue aceitar quando uma situação à qual
ela tenha se apegado muda ou desaparece. Ela vai
resistir à mudança.
É
quase como se um membro estivesse sendo arrancado do seu
corpo. Isso significa que a felicidade e a infelicidade
são, na verdade, uma coisa só. Somente a ilusão do tempo
as separa. Não oferecer resistência à vida é estar em
estado de graça, de descanso e de luz. Nesse estado,
nada depende de as coisas serem boas ou ruins. Observe
as plantas e os animais, aprenda com eles a aceitar
aquilo que é e a se entregar ao Agora. Deixe que eles
lhe ensinem o que é Ser.
Deixe que eles lhe ensinem o que é integridade – estar
em unidade, ser você mesmo, ser verdadeiro. Aprenda como
viver e como morrer, e como não fazer do viver e do
morrer um problema.
Eckhart Tolle

O
Homem; As Viangens
Contribuição Amaury
Autor
Carlos Drumond de Andrade
O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão.
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para o Lua
desce cauteloso na Lua
Pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.Marte humanizado, que
lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus
vê o visto - é isto?
idem
idem
idem O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com infustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só pra tever?
Não -vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
( estará equipado?)
a difísil dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de conviver.

Sair
do Labirinto
Mônica Branco
Autor
Pierre Levy
Cedo ou tarde será preciso
enfrentar o seu dragão. Cada um de nós tem na vida um
monstro diferente. O que parece terrível para uns, para
outros nada mais é do que um incômodo passageiro. Mas
para todos existe um "grande medo", um Minotauro no
centro de seu labirinto interior, uma besta imunda a
ostentar nosso rosto. Um dia será preciso lutar
por si, por
sua própria causa, e não por alguma finalidade elevada,
social, política, humanitária, espiritual ou qualquer
outra. Decida-se de vez a enfrentar o que o impede de
viver plenamente. Guerreie por sua vida. Lute contra o
seu grande medo. Hoje é um bom dia para aceitar o
combate, parar de fugir, lutar com o que mais o
aterroriza. Você entende que as pessoas e as situações
que o deixam mal são meros disfarces desse medo, as
máscaras do dragão que o habita?
Toda vida contém uma
descida aos infernos. O labirinto é uma representação
clássica do mundo infernal (o rei Minos era juiz dos
infernos), mas também da matriz. Como sair do labirinto?
Como retornar do país dos mortos? Como ressuscitar? Como
renascer? Como nascer?
Teseu, como todos os
heróis, combate o monstro antes de unir-se à princesa. A
princesa, ou Ariadne, é seu lado feminino, sua
anima, sua
parte emotiva e terna. Foi porque se uniu à sua parte
feminina por um fio, porque se uniu consigo mesmo que
Teseu pôde vencer seu medo (o Minotauro) e tornar-se
livre (sair do labirinto). Ele está suficientemente
seguro de sua identidade sexual para aceitar seu lado
feminino. É a energia da união consigo, do encontro
consigo mesmo (o fio que une Ariadne a Teseu) que lhe
permite tornar-se livre. Tornar-se livre, tornar-se uno
e vencer o próprio medo são a mesma e única coisa.
Ariadne, como todas as
companheiras dos heróis, libera seu lado masculino, sua
força e coragem. O herói que libera a princesa
aprisionada emancipa seu próprio lado feminino.
O dragão é sempre o medo,
o medo de ser si mesmo... ou de deixar de sê-lo se nos
liberarmos. O argumento que se apodera de nosso ser e no
qual nos aprisionamos: eis o nosso dragão. Enfrentar o
dragão é reencontrar
a situação,
exatamente
a
situação em que a armadilha se acomodou. Retornar ao
instante da queda, ao lugar onde perdemos a liberdade. A
frase que nos condenou. A idade em que perdemos a visão.
Devemos reencontrar esse instante de que queremos fugir
com todas as nossas forças. E uma vez lá, será preciso
reviver o nosso papel, mas, desta vez, saindo da
armadilha por cima. Se o acontecimento original tiver
provocado o medo ou o orgulho, devemos nos desprender
com plenitude ou humildade. Sair com inocência se tiver
sido a culpa a origem da situação. Herói, princesa e
dragão são a mesma e única pessoa.
Só consigo apreciar a
mulher que há em você, porque minha dimensão feminina é
capaz de reconhecê-la. Só sou capaz de amar a mulher que
há em você, porque amo a mulher que há em mim. Você só
consegue amar o homem plenamente homem que há em mim
porque tem em si essa dimensão de virilidade assumida,
plenamente realizada, amada. Então você é capaz de amar
o homem que sou, sem invejar minha virilidade, sem temer
minha estranheza. Da mesma forma, meu amor por você não
está misturado com nenhuma inveja de sua feminilidade
triunfante, nenhum medo, porque essa feminilidade também
está em mim. O amor é a relação recíproca das almas e de
suas diferenças. Uma "identidade" que não considera as
identidades diferentes que encontra é uma identidade
morta, reativa, odiosa, impotente. Amar é despertar o
outro que há em si.
Abandone para sempre as
opiniões que os outros têm de você. Afaste-se
completamente das imagens e representações que você faz
de si mesmo. Abandone totalmente qualquer idéia de
mérito ou de culpa, de inferioridade ou de
superioridade. Não há nada a "provar" nem para si nem
para os outros. Pare de perguntar quem você é. A
identidade é uma sujeição: você só é manipulado porque
forjou uma imagem de si mesmo. A identidade é uma
prisão.
Saia do labirinto da
identidade. "Eu existo" é o título mais elevado. Tudo o
que lhe acrescentarmos o depreciará.

Jardim
da Vida
Diego Fonseca
Nas árvores,
a esperança
do verde
que amadurece.
Nas folhas,
o encontro com o vento,
a harmonia do mover-se,
o equilíbrio do balançar.
Nas flores,
a transitoriedade do viver,
a aceitação do murchar,
a felicidade do florir.
Nos frutos,
a responsabilidade em ser,
a doçura do nascer,
o medo de amargar.
Nas sementes,
o mistério do renascer,
a sabedoria do aguardar,
a beleza do brotar.
Na Terra,
a abundância do Amor,
que compreende cada acontecer,
sem exigir um porquê.

Processo da Quadrinidade
Victor Lima Mota
Cheguei, perguntei
Desconfiado, não acreditei
Tive dor, sofri, bati, chorei
Bem no fundo, tão profundo
que ate então desconheça
vi a luz, chegar ao mundo
fiz a noite virar dia.
Fiz o fraco virar força
Fiz o escuro me temer
vi o medo, antes forte
tão com medo de desaparecer.
Vi virtudes, vi defeitos
Vi amor, me fiz viver
Seu silencio, não perfeito
Mas completo no meu ser!
